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sábado, 12 de março de 2011

Resistência e Tenacidade na Condução de Obras da Copa e Olimpíada

Sem querer ensinar física neste espaço, precisamos entender dois conceitos básicos no estudo da resistência dos materiais; a resistência e tenacidade.
A Resistência é quanta força um material pode aguentar até se deformar. Tenacidade é a medida da energia necessária para fraturar ou quebrar algo, e descreve a capacidade de um objeto de absorver energia. Na maioria das vezes, estas duas qualidades são mutuamente exclusivas. O santo graal é conseguir estas duas propriedades ao mesmo tempo. Dará prêmio Nobel, com certeza.
Pense em uma caneca de cerâmica: ela é bastante resistente, mantendo sua forma enquanto lida tranquilamente com temperaturas quentes e frias. Mas ela não é tenaz: ela não tem flexibilidade, nenhuma qualidade de se curvar, para não quebrar quando cai no chão. Por outro lado, uma tira de elástico é tenaz, pois se estica e contorce para envolver todo tipo de objeto. Mas ela não é resistente, e não é necessária muita energia para deformá-la e quebrá-la, quando ela volta para você ardendo a pele.
Pois o (des)governo está muito próximo disso.
Sabemos que os eventos copa do mundo de futebol e olimpíadas estão prá lá de comprometidos com inexpressivas providências efetivamente tomadas para as obras de instalações e infraestrutura necessárias.
Em termos de Brasil, isso significa declarações de emergência e urgência, dispensas de licitação e muito, mas muito, dinheiro atirado às feras e desviado em superfaturamentos; vide Jogos Panamericanos do Rio de Janeiro em que as despesas realizadas atingiram 10 vezes o valor orçado sem que ninguém fosse preso por causa disso.
Até que se tentou controlar um pouco isso com a indicação de Henrique Meireles para a tal Autoridade Pública Olímpica - APO, um monstrengo com quase 500 cargos de altos salários sem concurso; mas que seria um ponto de controle que a sociedade poderia usar para ao menos saber quanto se está roubando e berrar um pouco, tentando cobrar responsabilidades.
Mas o esforço contrário não para. O deputado e líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), acabou arranjando uma forma de deixar um dos mais enrolados deputados do PT, Eduardo Cunha com a chave do cofre, deixando a seu encargo uma missão no mínimo polêmica: participar de um grupo que irá elaborar o texto com regras que vão "flexibilizar exigências na realização de licitações de megaobras para a Copa 2014 e as Olimpíadas no Rio".
Suas inçelenças já haviam tentado essa falcatrua ao incluir as medidas como contrabando na Medida Provisória 503, que tratava da Autoridade Pública Olímpica (APO), mas houve resistência da oposição ao texto e a flexibilização das regras das licitações acabou ficando de fora.
Com a Tenacidade e Resistência que sempre habita o sentimento mais íntimo dessa corja, tentam agora desenvolver um texto na surdina para ser incluído (de novo contrabandeado) na MP 510, que está na fila para ser votada na Câmara.
Volta-se à carga para a transgressão de dois dos baluartes ainda vigentes para conter a roubalheira: as leis de licitação e da responsabilidade fiscal. Vencidos ou atenuados, como querem os patifes, esses limites, podem crer na serrergonhice que vai ser com o dinheiro dos impostos.
O líder do DEM na Câmara, deputado ACM Neto (BA), já adiantou que o partido tem várias restrições ao texto sobre as licitações para as obras da Copa e das Olimpíadas, considerado amplo demais: "Há uma liberalidade total das regras. Vamos fazer uma série de sugestões com base em parecer de nossa assessoria técnica".
Claro que não se pode ficar confiante nessa oposição que aí está, portanto vamos ficar atentos.

Carinhando os Sindicatos

Dona deelma recebeu nessa sexta (11), representantes de seis centrais sindicais, entre elas a CUT e Força Sindical.
Em função de haver batido o pezinho e passado igual a um bulldozer na Câmara e no Senado sobre as propostas de salário mínimo acima dos R$ 545, 00 que empurrou de goela abaixo nos subservientes parlamentares, e das queixas valadas ou não de centrais ou de alguns descontentes temporários, a mandona, ops...a mandatária deu um abano na brazinha de fogueira que os pelegos sindicalistas pensam que ainda têm.
Complementando uma insanidade registrada na história pelo EX através da Lei 12.353, que fez aprovar no congresso e que foi sancionada em 28/12/2010 e portanto, na calada da noite de ano novo, bafajada pela ministra Miriam Belchior doPlanejamento assinou uma portaria ansiada e bafejada pelos sindicatos que dispõe sobre a inclusão de um representante do quadro funcional nos conselhos deliberativos de todas empresas estatais e de economia mista.
Falatava apenas regulamentar e a portaria o fez hoje.
Daqui prá frente, serão obrigadas a manter um trabalhador aos seus conselhos todas as estatais federais com mais de 200 funcionários em seus quadros, ou seja, quase todas, coisa de 59 empresas.
Como se já não chegasse as quase 200 mil vagas de cumpanhêrus instalados na poderosa máquina eleitoral montada, os sindicatos ganharam o direito de indicar quase seis dezenas de “conselheiros”.
Destaco que são algumas das poltronas mais desejadas da máquina: boas remunerações (ver a seguir), pouquíssimo trabalho (uma reunião por mês ou bimestre) e salários apetitosos.
Coisa de R$ 5 a 15 mil por mês.
O tal trabalhador-conselheiro, um funcionário "de carreira" das estatais, será eleito pelos colegas em votação direta. Romântico e democrático né?
Claro que a organização e custos prá essa bendita eleição serão das empresas em conjunto com o respectivo sindicato. Ponha na conta viagens, hotéis; material e cerimônias de campanha.
Os neo-conselheiros terão as mesmas atribuições dos demais: fiscalizar a atuação dos executivos e aprovar as principais decisões das estatais.
O maior dos riscos, a meu ver será o fato de que passam a ter acesso as dados estratégicos das companhias o que, num país onde dados e informações escorregam das mesas para pastas e pen-drives na mesma velocidade com que pacotes de dinheiro mudam de mãos, isso é um perigo e um incentivo à corrupção desenfreada, já que tais conselheiros não poderão ser responsabilizados por crimes que nem saberão que estão cometendo.
A única restrição é que eles não poderão VOTAR em decisões que envolvam relações sindicais, salários e remunerações, benefícios e vantagens, previdência complementar e assistências indiretas. Mas nada os impede de se pronunciar e influenciar seus pares.
Ainda tem uma "pequena" bronca: se a entrada do trabalhador levar o acionista majoritário (a União) à perda da maioria no conselho, a estatal elevará o número de vagas.
Para muuuitas empresas isso vai acontecer, logo serão origadas a abrir novas vagas, junto com essa primeira leva nos seus conselhos. Ao que se sabe, os conselhos de estatais custam mais de R$ 9 milhões por ano. O custo adicional não foi divulgado.
O que a pelegada deveria ter feito que era fincar posição na posição de 6,5% na tabela de retenções e descontos do imposto de renda, comeram mosca e enguliram os 4,5% do (des)governo, sem a definição de uma regra para reajustes futuros.
Outras grandes bandeiras, o fim do fator previdenciário e fixação de política de reajuste para as aposentadorias do INSS, também foram varridas para baixo da mesa.
Aí sairam uns três ou quatro "desaforos" lights, tomaram café quentinho e comeram bolacha Maria.
Ouçam o comentário de Roseann Kennedy da CBN.

Fontes: Folha de São Paulo, Estado de São Paulo, O Globo, CBN.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Mais Uma Vez o Exemplo do Japão

O mundo hoje mais uma vez se surpreende sobre uma enorme tragédia que assola o Japão. Por mais que estejam habituados com tais fenômenos, que se preparem e até ensaiem e façam exercícios coletivos, os danos, o pânico e o pavor são inevitáveis.
Mas uma coisa há que se salientar: ELES SÃO SÉRIOS, COMPETENTES E HONESTOS. Aprendem com as consequências e cuidam para que não se repitam ou sejam atenuadas. Até o instante em que escrevo este texto, "apenas" 300 pessoas perderam suas vidas, provavelmente naquelas regiões tão planas que não havia como fugir dos Tsunamis, ou aqueles que, cercados, não conseguiram se safar. Até escrevemos sobre enchentes no Japão AQUI no blog e as ações que eles tomaram
Nossos governantes vêem tragédias naturais se repetirem ano após ano e nada fazem para estancá-las para sempre. Sem contar o agravante que NÓS PODEMOS PREVER QUE ACONTECERÃO.
Acontecidos os fatos por aqui, surgem discursos emocionados e alagados de lágrimas, sobrevoos cínicos, promessas de ações e reações que duram algumas semanas até que o povo se esqueça.
Em meio a tanta emergência, as inevitáveis dispensas de licitação com roubos astronômicos nunca mais fiscalizados.
Salva-se a real solidariedade entre os irmãos brasileiros, essa verdadeira e atuante. Se bem que ainda tem uns canalhas que roubam as doações.
Vejam por exemplo, essa imagens de alagações em São Paulo aí pelos anos 50 e 60. De lá prá cá pararam? Diminuiram ao menos? E nas outras cidades do Brasil? O que foi efetivamente feito.
Vergonha de tanta ladroagem e inépcia.




Durante uma entrevista, o baterista Thomas da banda Restart é perguntado sobre quais lugares ele ainda gostaria de tocar. Thomas responde: "Queria tocar no Amazonas. Imagina, tocar no meio do mato, não sei nem como é o público de lá. Não sei nem se tem gente civilizada, civilização."
Depois da repercussão negativa no Twitter e Facebook (até entre os fãs da banda, que fará seu primeiro show em Manaus em 01 de abril), o baterista se defendeu pelo Twitter: "Quando se fala em Manaus, imagino natureza total! Não desvalorizei ninguém!". A hashtag #manausodeiathomasrestart chegou aos Trending Topics do Twitter.
Em outro post, disse que vai "gostar muito" da cidade. "Eu adoro lugar tranquilo! Ainda mais lá, que só deve ter natureza! Cachoeiras e tudo mais!".
O produtor do show do Restart em Manaus, Dílson Cabral, contemporiza. "Foi uma infelicidade. Isso acontece. É um comentário sem conhecimento, banal. A verdade é que muita gente pensa dessa forma."
Ou seja: fizeram a cagada e limparam com angu.

Preconceito? Acho que não. É falta de cultura e de estudo mesmo. Vai ver que o garotão nem sabe o que é um livro de geografia. Conviria aos produtores lerem primeiro e depois fazerem os garotos lerem sobre a região. Assim tipo tarefa para casa.

Só prá lembrar aos "mundialmente famosos" músicos do Restart, a banda Alemã Scorpions veio ao Amazonas há uns três ou quatro anos, em sua segunda turnê no Brasil, ambas contemplando Manaus, para gravar trechos para um DVD ao vivo, em função de haverem assistido um documentário sobre o estado e notarem caboclos assistindo seu show também ao vivo em Lisboa numa típica cabana de ribeirinho.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Declarando Imposto de Renda

Já fez seu Imposto de Renda? Pois faça e veja quanto de imposto irá pagar!
Srs. Governantes, não subestimem o povo que começa a ter conhecimento e está começando a abrir os olhos.

Todos os ''governantes'' (a saber, os que se governam....) do Brasil falam em cortes de despesas - mas não dizem quais - e aumentos de impostos a pagar.
Nenhum governante fala em:

1. Reduzir as mordomias (gabinetes, secretárias, adjuntos, assessores, suportes burocráticos respectivos, carros, motoristas,14.o e 15.o salários etc.) de todos os poderes da República;

2. Redução dos deputados da Câmara e das Assembléias da República e seus gabinetes, profissionalizando-os como nos países sérios, acabando com as mordomias como almoços opíparos, com digestivos e outras libações, tudo à custa do pagode. Redução no mandato de Senador para 4 anos (igual aos outros mandatos);

3. Acabar com centenas de Institutos Públicos e Fundações Públicas que não servem para nada e têm funcionários e administradores com 2º e 3º emprego;

4. Acabar com as empresas Municipais, com Administradores a auferir milhares de reais/mês e que não servem para nada, antes, acumulam funções nos municípios, para aumentarem o bolo salarial respectivo.

5. Por exemplo as empresas de estacionamento não são verificadas porquê? E os aparelhos não são verificados porquê? É como um táxi, se uns têm de cumprir porque não cumprem os outros?s e não são verificados como podem ser auditados?

6. Redução drástica nas Câmaras Municipais e Assembléias Municipais...;

7. Acabar com o Financiamento aos partidos, que devem viver da quotização dos seus associados e da imaginação que aos outros exigem, para conseguirem verbas para as suas atividades;

8. Acabar com a distribuição de carros a Presidentes, Assessores, etc, das Câmaras, Juntas, etc., que se deslocam em digressões particulares pelo País;

9.. Acabar com os motoristas particulares 24 h/dia, com o agravamento das horas extraordinárias... para servir suas excelências, filhos e famílias e até, os filhos das amantes...

10. Acabar com a renovação sistemática de frotas de carros do Estado;

11. Colocar placas e adesivos de identificação em todos os carros do Estado. Não permitir de modo algum que carros oficiais façam serviço particular tal como levar e trazer familiares e filhos, às escolas, ir ao mercado a compras, etc;

12. Acabar com o vaivém semanal dos deputados e respectivas estadias em hotéis de cinco estrelas pagos pelos contribuintes;

13. Controlar o pessoal da Função Pública (todos os funcionários pagos por nós) que nunca está no local de trabalho;

14. Acabar com as administrações numerosíssimas de hospitais públicos que servem para garantir aos apadrinhados do poder - há hospitais de cidades com mais administradores que pessoal administrativo... pertencentes ás oligarquias locais do partido no poder...

15. Acabar com os milhares de pareceres jurídicos, caríssimos, pagos sempre aos mesmos escritórios que têm canais de comunicação fáceis com o Governo, no âmbito de um tráfico de influências que há que criminalizar, autuar, julgar e condenar;

16. Acabar com as várias aposentadorias por pessoa, de entre o pessoal do Estado e entidades privadas, que passaram fugazmente pelo Estado.

17. Pedir o pagamento dos milhões dos empréstimos dos contribuintes, cpmf, precatórios;

18. Criminalizar, imediatamente, o enriquecimento ilícito, perseguindo, confiscando e punindo os biltres que fizeram fortunas e adquiriram patrimônios de forma indevida e à custa do contribuinte, manipulando e aumentando preços de empreitadas públicas, desviando dinheiros segundo esquemas pretensamente "legais", sem controle, e vivendo à tripa forra à custa dos dinheiros que deveriam servir para o progresso do país e para a assistência aos que efetivamente dela precisam;

19. Não deixar um único malfeitor de colarinho branco impune, fazendo com que paguem efetivamente pelos seus crimes, adaptando o nosso sistema de justiça a padrões civilizados, onde as escutas VALEM e os crimes não prescrevem com leis acochambradas e feitas às pressas e sob medida;

20. Impedir os que foram ministros de virem a ser gestores de empresas que tenham beneficiado de fundos públicos ou de adjudicações decididas pelos ditos.

29. Fazer um levantamento geral e minucioso de todos os que ocuparam cargos políticos, central e local, de forma a saber qual o seu patrimônio antes e depois.

30. Pôr os Bancos pagando impostos.
31. Pôr os Bancos atendendo a população em horário comercial (08:00hs às 18:00hs), o que com certeza os obrigará a contratar mais gente, criando mais empregos e atendendo melhor aos clientes.

Pensando o Processo

Pensando o processo por Mara Kramer

Exponho abaixo, de forma panorâmica, minha visão sobre o processo das ideologias de esquerda, basicamente o PT, no Brasil. Minha reflexão não visa prioritariamente entender a trajetória do partido, mas sim, compreender a realidade a ser enfrentada pela resistência ao partido neste momento no país. Considerando ser uma percepção pessoal, logicamente apoiada em fatos, abro o tema à discussão com a finalidade de conhecer outras visões, sempre priorizando não a história, mas suas conseqüências na realidade e propostas de ação.

A pretensão da esquerda marxista era a universalidade, pois apenas na universalidade o sistema poderia funcionar e crescer. O mesmo ocorre com o capitalismo, apenas na universalidade, ou globalização, ele pode manter-se e evoluir. Ambos os modelos buscavam a universalidade, e nesta disputa, muitas vezes avançando na esfera político-territorial, o capitalismo venceu. A queda do muro em 89 é o acontecimento simbólico da derrota do comunismo. Vivemos hoje na América Latina um "último suspiro" desta esquerda, já em uma versão mista com o capitalismo. Outra versão mista também esta na China, mas esta deu indícios claros na última visita do presidente chino aos EUA há 15 dias mais ou menos, que irá, mesmo que a seu ritmo, iniciar o processo de democratização. Está também o fechado regime da Coréia do Norte. Considerando apenas um aspecto do modelo econômico a vitória do capitalismo sobre o comunismo não deixa espaço para a expansão de um partido de tipo petista (original e pretensão), exatamente pela impossibilidade de universalidade. A Europa, América do Norte, Japão, Rússia, Índia, entre muitos outros países, não retrocederão ao marxismo. Quero dizer com isto que, entre outras coisas, a pretensão do PT expandir-se pelo mundo, como demonstrou em sua política externa, não tem o menor futuro, ou seja, não se expandirá. A política exterior de Lula, sobretudo no final do governo (Honduras, Irã, caso direitos humanos de Cuba) não caiu bem na comunidade internacional. Lula ainda é a figura folclórica do operário que chegou a presidência, mas não alcançará nenhum posto de transcendência nos órgãos internacionais. A ausência de grandes figuras na posse de Dilma evidencia, entre outros fatos, a queda do prestigio internacional de Lula.

Intelectuais da esquerda especularam que o avanço da esquerda na América Latina poderia ser o indício de seu retorno, entretanto a qualidade de governo e os avanços sociais reais não sustentam esta expectativa. Há até uns 4 anos atrás as livrarias européias resgatavam escritores e escritos da esquerd (Marx, Gramsci, Marcuse, Lukács, Hauser, etc). Encontrava-se nas vitrines das livrarias estes livros com freqüência. Atualmente, já não se vê, em parte por que a crise passou a ser protagonista, mas também pela insustentabilidade do discurso de Chavez, Lula, ou Raul Castro e a difusão da resistência cubana, etc.

No mundo intelectual europeu o comunismo acabou em 1939 quando Stalin e Hitler assinaram o pacto de não agressão. Neste momento Stalin, líder comunista se equipara a Hitler, líder nazista, caindo por terra as pretensões de superioridade moral da esquerda. Ambos eram capazes de ser monstruosos, como de fato o demonstraram. De lá até 1989 foi a agonia do moribundo.

Retomo as palavras do Frei Beto, quando disse que Lula conseguiu aquilo que a direita brasileira jamais havia conseguido, acabar com a esquerda no país, pois boa parte da intelectualidade de esquerda abandonou o PT. As pessoas que eram petistas na ilusão da justiça e igualdade social, ou por nostalgia da juventude revolucionária também abandonaram o PT. O partido hoje é dos aproveitadores, dos vigaristas, dependentes da compra de votos. Enfim, daqueles que tiram vantagem ou têm benefícios assistenciais. Poucos são os petistas por convicção, descontando o fanatismo. A intelectualidade brasileira não apóia mais o PT, foi o que ficou comprovado no Manifesto pela Democracia realizado no ano passado, e, senão me engano, a USP não votou PT nas últimas eleições. Ou seja, o PT perdeu as bases intelectuais que o apoiaram e deram sustentabilidade e legitimidade ao seu crescimento. A princípio, a morte do PT iniciou no mensalão. Digamos que o mensalão foi o nosso "pacto de não agressão". O mensalão demonstrou que a bandeira de superioridade moral levantada pelo PT era falsa, ele podia ser igual ou mais corrupto do que aqueles a quem criticava. No mensalão Lula/PT morreu moralmente. Entendo, por exemplo, que é este o motivo pelo qual o Diogo Mainardi não vê mais graça na política lulista/petista, perdeu o interesse, escrevendo inclusive um livro deste "fim de caso". A partir daí é apenas “más de lo mismo”, imoralidade, imoralidade,.... Neste sentido, o PT é inviável não apenas no sentido de expansão internacional da esquerda, mas também, e sobretudo, por sua decadência moral. Assim, creio que o PT, como todos os partidos de ideologia marxista, estão vivendo no Brasil a agonia do moribundo. Corrobora nesta avaliação a alteração de rumo de Roberto Freire e o PPS.

A partir daí a questão passa a ser até quando nós poderemos suportar. O povo egípcio suportou 30 anos, a Venezuela já esta em torno de 15, a Espanha esteve sob o regime franquista até a morte de Franco (36 anos), a Itália, entre idas e vindas, esta há 10 anos com Berlusconi, nós estamos entrando no nono. Um aspecto que joga a nosso favor é exatamente a necessidade de universalidade do capitalismo, hoje mais do que nunca, pois já em fase de globalização, e a tendência, cada dia maior, dos países assumirem a democracia, conforme assistimos nas amplas manifestações populares nos países árabes.

Também não sabemos quanto o PT resistirá, até quando isto irá durar, nem o nível de desconstrução moral, política e econômica podemos alcançar. O estrago já é grande e vai aumentar. Colocar o limite dependerá da politização de nossa sociedade, de nossa organização e mobilização, da organização, ação e ética dos partidos de oposição, em última analise do sentido de moral interiorizado pela nossa sociedade e da maturidade de nossa cultura política, tanto do povo quanto dos políticos (o que é dialético). Neste sentido, o quanto antes iniciamos o debate político, os questionamentos, a revisão de posturas histórica, pressões e manifestações, quanto melhor orientamos nossos debates e ações, a velocidade de organização, profissionalização e conscientização da importância de oposição, etc......melhor.

NB: Mara Kramer, é nascida em Porto Alegre, arquiteta, ex-professora universitária trabalhando com história e teoria da arquitetura. Mora em Barcelona onde faz doutorado em arquitetura na sua área de atuação docente. Como professora e pesquisadora de arquitetura trabalhou em investigações, escreveu artigos e livro, organizou e participou de vários seminarios e congressos. Recomendo seguí-la no Twitter @MarKramer

quarta-feira, 9 de março de 2011

Você e as Motos


Quarta Feira de Cinzas

Quaresma: Tempo de Conversão.
Lembra-te Homem, Que És Pó e ao Pó Hás de Tornar
Cinis Ad Cinerem; Pulvis Ad Pulverem.
Das cinzas às Cinzas, Do Pó Ao Pó.
Ashes to Ashes And Dust to Dust .
Ashes to Ashes, la poussière à la poussière
Пепел при пепелта, прах на прах
Cenere alla cenere, polvere alla polvere
Asche zu Asche, Staub zu Staub
As tot as, stof tot stof
灰燼灰燼,塵塵
재에서 재로 먼지, 먼지
Пепел к пеплу, прах к праху
Cenizas a las cenizas, polvo al polvo
אש צו אש, שטויב צו שטויב
رماد إلى رماد ، والغبار إلى الغبار
Ashes to Ashes, τη σκόνη στη σκόνη
Ashes to Ashes, stof tot stof
Aske til aske, støv til støvAska damm till damm
Luaithreach a luaithreach, deannaigh a deannaigh
Cendres a les cendres, pols a la pols

terça-feira, 8 de março de 2011

O Ser: Mulher

Escandalosamente copiado de Veneno Veludo
Nas andanças entre sites, blogs e afins; o melhor texto que vi.


Nesses 100 anos de luta pelos direitos da mulher, cuja representação máxima é esta data, 8 de março, o Dia Internacional da Mulher, conquistas importantes foram alcançadas. Mas muito se perdeu e se confundiu, em meio a tal objetivo. Eu não seria eu, esta mulher, se não fosse, hoje, pela contramão do usual, do comum, do "normal" neste dia.
O comportamento feminimo está muito masculino e não se pode debitar da conta dos homens. As mulheres são as primeiras a suspirar e estremecer sonhadoramente as pestanas por um homem que goste de cozinhar, e faça isso com certa habilidade, ao tempo em que torcem o nariz para a amiga que diz que vai... cozinhar. Se ela disser que fará isso para o seu homem, pior ainda. Há algumas gerações, o encanto, a poesia, a peculiaridade melhor de ser mulher tem quase que ser escondida, virou sinônimo de fraqueza, submissão.
Fruto da ditadura do discurso da liberação - muito diferente de liberdade - sexual. Que originou uma guerra de sexos, e não travada entre homens e mulheres, mas defendida e definida por mulheres que fazem questão de negar essa condição feminina. E se tornam mais parecidas com os homens do que muitos deles. Em nome da luta contra a discriminação da mulher...
Para mim, a forma como esses "revolucionários progressistas", bradam pelo dia Internacional da Mulher, dá a ele uma cara de luta armada. Nada me faz sentir mais discriminada como mulher, e mais diminuída em minha condição de ser humano do que isso: segundo os papas do esquerdismo, Marx e Engels, na família moldada pelos "capitalistas", o homem é o burguês e a mulher representa o proletariado. Não seria possível, portanto, segundo tal ditame, a emancipação dos trabalhadores sem a libertação das mulheres. Essa é uma causa que não me toca. São ideias que não me representam. Proletária sou do estado, que a esquerda tanto gosta e defende, pois trabalho quase meio ano para sustentá-lo, sem nada obter em troca.
O mundo precisa amulherar-se. Uma parte dele precisa, a parte composta pelas mulheres. Mas só as que nasceram sob o sexo feminino, pois há um tipo de mulher que tem até representante no Planalto Central, que nem intervenção Divina faz parecer mulher. O mundo feminino precisa feminilizar-se. Talvez incorporar a moda imposta aos homens, o tal "metrosexualismo". É isso, a mulher precisa ser metrosexual: gostar muito de si, gostar de se cuidar. Perder o medo de ser "sensível". Usar cremes maravilhosamente perfumados, comprar lingerie de primeira - algumas práticas outras simplesmente deslumbrantes - usar decote com calça comprida, calçando sapatilha. Jeans skinny com a camisa branca do namorado. Modelar a sobrancelha e caprichar no bikini brazilian wax. Abusar da saia e do scarpin, mas sair de cabelo molhado de manhã, que o vento trate de secar. Esmalte e batom vermelhos, mas pagando suas próprias contas. Receber flores, muitas, sendo cortejada. E lutar krav maga.
Quanto aos homens... ah, sim, precisam perder o medo de serem homens. De assumir o diferencial, o poder que a condição do gênero lhes confere. Há um monte de mulheres que são tão fortes e seguras (e femininas), que se sustentam, a si e à sua família, que não precisam nem querem ser submissas, que sabem muito bem qual é o valor de um homem. Um homem... macho.
Torça o nariz, quem quiser. Se for preciso, eu explico, sem medo de incluir palavras proibidas no dicionário politicamente correto que nos patrulha, a todos, mulheres e homens: aqui quem fala é uma mulher: fêmea, dama, donzela, amante, moça, adulta, velha, menina, matriarca, senhora, dona. Matrona, viúva, gata, esposa, dômina, beldade, avião, cidadã, flor, nobreza, delicadeza. Flamenguista e Cruzeirense. Diva, fada, bibelô, peixão - sereia!
Aqui quem fala é uma mulher. Que não precisa, não quer e não deseja a nenhuma sua amiga, um dia internacional. Quer, e deseja, todos.
Ilustração: A Mulher Com Brinco de Pérola, de Vermeer

Campanha da Fraternidade 2011

Amanhã é o lançamento oficial da Campanha da Fraternidade 2011 com o tema "Fraternidade e a vida no planeta" e o lema "A criação geme em dores de parto", numa continuidade de 47 anos desse período de reflexão, auto-avaliação e conversão pessoal e comunitária.
Os objetivos gerais da CF são sempre palpitantes e refletem a missão evangelizadora que a Igreja recebeu de Jesus Cristo em vista do mandamento do amor fraterno, visando despertar e nutrir o espírito comunitário e a verdadeira solidariedade na busca do bem comum da edificação de uma sociedade justa e solidária, já aqui na terra, para que se mereça o Reino dos Céus.
No cartaz desse ano observa-se uma fábrica que solta fumaça, poluindo e degradando o ambiente, deixando o céu plúmbeo, intoxicado e acinzentado.
A figura do rio com a água escurecida e suja representa também a parte natural sendo devastada, influenciando no aparecimento das enchentes e no aumento do nível do mar, ações estas provocadas pelos atos errados do homem.
Em contraste a isso, vemos em primeiro plano uma mureta, onde em meio à devastação ainda existe vida: um pequeno broto e um cipreste (hera), com suas raízes incrustadas, criando um microecossistema, que ainda insistem em viver mesmo diante de um cenário áspero; sendo, portanto, referência ao lema: "A criação geme em dores de parto" (Rm 8,22).
A Arquidiocese de Manaus escolheu o Encontro das Águas, fenômeno tombado como patrimônio cultural do Brasil, para fazer o lançamento da Campanha no Amazonas. A celebração será na Quarta-Feira de Cinzas, às 9h, em uma balsa posicionada no encontro dos Rios Negro e Solimões, formadores do Rio Amazonas, não só pela beleza e biodiversidade, mas, principalmente, para mostrar a sociedade o que deve ser preservado e que, no futuro, os nossos descendentes e o povo do Brasil e do mundo possam desfrutá-lo em toda a sua grandiosidade e riqueza”, informou a arquidiocese.
Acompanhe o Hino Oficial.
Paz e Bençãos.

Dia Internacional das Mulheres

Como muita vezes já falei por plagas onde ando, não tenho o dom da poesia para escrever loas no dia de hoje. Mas me considero romântico e cavalheiro o suficiente para suprir essa deficiência na busca de quem possa me valer numa hora dessas.
Escolhi Pablo Neruda, para homenagear as nossas leitoras no dia de hoje. Com todo meu carinho.


Mulheres
Elas sorriem quando querem gritar.
Elas cantam quando querem chorar.
Elas choram quando estão felizes.
E riem quando estão nervosas.

Elas brigam por aquilo que acreditam.
Elas levantam-se para injustiça.
Elas não levam "não" como resposta quando
acreditam que existe melhor solução.

Elas andam sem novos sapatos para
suas crianças poder tê-los.
Elas vão ao medico com uma amiga assustada.
Elas amam incondicionalmente.

Elas choram quando suas crianças adoecem
e se alegram quando suas crianças ganham prêmios.
Elas ficam contentes quando ouvem sobre
um aniversario ou um novo casamento.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Rádio Sucupira da CBN em 04/03/2011

Mais uma edição da sensacional paródia que vai ao ar todas as sextas feiras na Rádio CBN no programa Jornal da CBN.

A Evolução do Windows

Algumas telas da evolução desse muito combatido mas sempre muito usado sistema operacional. Algumas versões chegaram a trair seu próprio criador travando em plena apresentação. Mas há que se louvar, pois os caras são feras.
Hram, Hram...Eu já usei todas elas. Tô velho mesmo.
Windows 1.0
Windows 2.0
Windows 3.0
Windows 3.11 WS
Windows 3.11 NT
Windows 95
Windows 98
Windows ME
Windows 2000
Windows XP
Windows Vista
Windows 7

Vidro à Prova de Bala

Testando a invenção com a sogra.

video

domingo, 6 de março de 2011

Máscaras


A Ponte É Só Paisagem

Mais de R$ 1 bilhão já gastos e a ponte não concluída, e sem previsão para tal, que permitirá um dia a travessia do Rio Negro em Manaus só serve de paisagem prá foto.
Aqueles que decidiram aproveitar o carnaval em Iranduba, Manacapuru, Novo Ayrão, etc; encontraram uma fila para acesso às balsas do São Raimundo que chegou além da sede da Prefeitura, na Compensa. Coisa de 5 km. A informação por lá é que a espera dos motoristas ultrapassou cinco horas. A justificativa do órgão que administra as balsas é de que o "fluxo de veículos aumentou com relação a outros feriados". Incrível que tenham chegado a essa conclusão sozinhos, sem consultorias milionárias.
A SNPH disse que oito das nove balsas disponíveis para realizar o serviço de travessia estão funcionando no momento.
Tá certo que com a interdição da BR-174 com o rompimento de dois bueiros fez com que muita gente desistisse de passar o carnaval em Presidente Figueiredo e muitos alternaram para cruzar o Rio Negro, mas tinham que se prevenir. Falaram também que os caminhoneiros que costumam trabalhar somente até sexta-feira, resolveram adiantar o serviço.
O fato é, passada a eleição, o rítmo das obras quase parou. E ainda faltam as defensas e a iluminação: mais R$85 e R$ 25 milhões previstos sem os inevitáveis aditivos.
É. Perdeu "prayboy". Quem esperava carnaval relax; se-lascou-se.
Em julho tem a festa das cirandas em Manacapuru. A mesma loucura de carros prá cruzar o rio. Alguém aposta em atravessar pela ponte?

Jack, o Boa Praça

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