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sábado, 9 de abril de 2011

Ainda Sobre Barcelona X Real Madrid

Em 29/11/2010 tivemos mais um grande clássico Barcelona X Real Madrid no jogo de ida do Campeonato Espanhol, La Liga. O maior clássico do mundo, segundo a imprensa especializada, e um espetáculo do futebol, principalmente porque o Azul-Grená; Scarlet&Blue; Azul y Graná ou BlauGrana da Catalunha carcou 5 X 0 nos branquinhos de Cristiano Ronaldo e José Mourinho no sagrado gramado do Camp Nou, catedral da paixão do Barça. Escrevemos sobre isso AQUI.

Pois bem. Se os deuses do futebol não interferirem, após a rodada de volta da UEFA Champions League na semana que vem, teremos a possibilidade de desfrutar de mais 4 disputas seguidas entre as duas equipes, a saber:

16/4 (sábado) – Real Madrid x Barcelona (Santiago Bernabeu, Liga Espanhola)

20/4 (quarta) – Real Madrid x Barcelona (Mestalla/Valencia, Copa do Rei)

27/4 (quarta) – Real Madrid x Barcelona (Santiago Bernabeu, Liga dos Campeões)

3/5 – (terça) – Barcelona x Real Madrid (Camp Nou, Liga dos Campeões

É emoção pra mais de quilo e todos os mortais que, mesmo de longe, gostam de futebol adorariam assistir ao vivo pelo menos um desses jogos.

E não é que o Presidente da Câmara Federal deputado Marco Maia e seu filho, o deputado Romário e mais alguns assessores estarão em Madrid por uma enorme coincidência entre 14 e 17 próximos, em missão oficial, e poderão desfrutar dessa imensa sorte?

Ao ser questionado sobre o assunto Maia alegou que diversos encontros de interesse do país já haviam sido marcados, como por exemplo, um encontro com parlamentares espanhóis, na qual deverão ser tratados problemas recentes de entrada de brasileiros na Espanha.

Sua inçelença presidencial disse ainda que viagens oficiais e conversas com parlamentares de outros países são normais. No entanto, o presidente da Casa alegou que arcará com os gastos de seu filho e dos ingressos do jogo, que vai acontecer em um sábado.

Disse ainda que "Poderia ser qualquer outra coisa, uma peça de teatro, por exemplo".

Até os vejo em lágrimas numa peça de Miguel de Cervantes no Teatro Español.


Inclusive eu queria convidar vocês para ir a um jogo do Grêmio", brincou o gaúcho. "Não tenho nenhuma intenção de fazer viagem de turismo", completou. Ainda segundo Maia, Romário não foi convidado pela Câmara para integrar a comitiva, mas ele que se ofereceu para ir junto. "Não tem porque ele não ir. É um deputado como outro qualquer que exerce um excelente trabalho para as pessoas com síndrome de down", explicou.


Considerando que o cacique chupa dindin no sol e corre atrás de sobra de avião, penso que eu não queria uma bocada dessas. Preferia ir assistir São Cristovão e Madureira. Tem mais emoção.

Paradinha É Para Os Fracos



sexta-feira, 8 de abril de 2011

Torcida Ganha Jogo?


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Faltou alguém e generosidade no velório do José Alencar

Faltou alguém e generosidade no velório do José Alencar.

Blog da Amazônia POR JOSÉ RIBAMAR BESSA FREIRE

Os dois morreram com a mesma idade: 79 anos. Os dois foram abatidos pela mesma doença maligna contra a qual lutaram bravamente por um longo período. José Alencar (1931-2011), vice-presidente do Brasil, câncer no intestino. François Mitterand (1916-1996) presidente da França, câncer na próstata. Ambos tiveram funerais solenes, com pompa de chefe de Estado. No velório do francês, porém, foi registrada uma presença, que esteve ausente no enterro do brasileiro. Quase 15 mil pessoas desfilaram diante do corpo de Alencar, velado no Palácio do Planalto, em Brasília e, no dia seguinte, no Palácio da Liberdade, em Belo Horizonte, com direito a desfile em cortejo fúnebre, limusine preta, celebração presidida pelo núncio apostólico, honras militares, 21 tiros de canhão, bandeira a meio mastro, luto oficial. Alguém, no entanto, sentiu a perda, mas não foi aos dois palácios. Quem? Estavam lá a presidente Dilma Rousseff, quatro ex-presidentes, entre os quais Lula, ministros, senadores, deputados, juízes, governadores, autoridades civis, militares e eclesiásticas, políticos de todos os partidos, gente do povo. Enfim, todos os poderes constituídos. O comandante do Exército, general Enzo Peri, lembrou que o morto, quando jovem, havia feito “tiro de guerra”: “Nós sentimos profundamente. Era um grande patriota, amigo das Forças Armadas”. O médico do ex-vice-presidente, Raul Cutait, declarou que Alencar era “um exemplo de paciente”. Ele teve “um papel quase que didático em relação ao câncer”, confirmou Josias de Souza, colunista da Folha de SP. Efetivamente, o Brasil inteiro acompanhou, solidário, a luta daquele mineiro de Muriaé, corajoso, esbanjando a disposição de um touro, sempre com um sorriso descontraído depois de cada uma das inúmeras cirurgias a que foi submetido. Era duro de queda, o Zé. Dava a impressão de ser imortal. “Ele levou esperança a milhares de pacientes, abriu discussão sobre os avanços no combate ao câncer, ensinou ao Brasil a fé, a coragem no enfrentamento à doença e a importância fundamental da família e dos amigos para o sucesso do tratamento” - disse Luciana Holtz, presidente do Instituto Oncoguia. Na sua fala, nada foi dito sobre uma pessoa, ali ausente, que não havia recebido essa injeção de esperança. Ritual do poder De qualquer forma, quem teve alguém próximo com câncer - e quase todo mundo teve alguém próximo com câncer - se sentiu unido a José Alencar. O Globo registrou muitas mensagens de mulheres e homens comuns como Sidney Tito - “Adeus Zé, Deus te receberá com honras destinadas aos humildes, aos bons e aos justos” - ou Fátima Cremona - “O Brasil perde um grande guerreiro”. Até mesmo adversários não hesitaram em entrar na fila de cumprimentos no velório, entre eles o ex-presidente Itamar Franco, classificado como “péssimo caráter” por Alencar em depoimento a Eliane Cantanhêde, autora de “José Alencar, Amor à Vida”. Itamar não chegou a chorar, como Lula, mas provou que mineiro é solidário no câncer, como queria Otto Lara. Outro ex-presidente, José Sarney (vixe, vixe!), com ar compungido, moveu o bigode de ratazana e se pronunciou: “No meu tempo, não vi um político ser objeto de opinião tão unânime e receber uma solidariedade tão sem contrastes de todos os segmentos da sociedade quanto José Alencar”. Será? O senador Aécio Neves concordou e, crente que o purgatório de Alencar foi aqui na terra, despachou-o direto pro céu: “O Criador deve ter dito: uai Zé, achei que você não vinha nunca”. Ninguém questionaria o sotaque mineiro de Deus se não houvesse um lugar vazio no velório. Mas havia, embora despercebido por pessoas tão familiares como o ex-ministro José Dirceu e a presidente Dilma. Dilma contou que Alencar a “adotou” quando ela chegou a Brasília, em 2003: “Foi meu segundo pai”. Na mesma linha, Dirceu afirmou, ao sair do velório: “Lula disse que perdeu um irmão. Eu perdi quase um pai”. Com tal paternidade declarada, não precisa de um estudo profundo sobre estrutura de parentesco para ver que a cerimônia do adeus ao patriarca reuniu toda a quase-família: a esposa dona Mariza, os três filhos Josué, Graça e Patrícia. Além do quase-filho Dirceu, lado a lado de sua quase-irmã Dilma e do seu tio Lula. Só faltou mesmo alguém que esteve nos funerais de Mitterand. Mazarine Quando o presidente da França morreu no cargo, foram se despedir dele, na Catedral de Notre Dame, em Paris, cerca de 1.500 personalidades: reis, rainhas, príncipes, presidentes e chefes de governo de quase todos os países do mundo. Mas não foi nenhum deles que fez falta no enterro de Alencar. Quem fez falta foi alguém ainda mais importante, que concentrou todo o foco da imprensa mundial: Mazarine Mazarine foi registrada com esse nome em homenagem à biblioteca mais antiga da França. É que seus pais adoravam livros. Sua mãe Anne Pingeot era bibliotecária do Museu d´Orsay. Seu pai François Mitterand discutia com intimidade, entre outras, as obras de escritores latino-americanos como Júlio Cortázar e Garcia Marquez, que foram convidados para sua posse. Acontece que Mazarine Marie, nascida em 1974, era filha de uma relação adúltera. Foi discretamente reconhecida, em cartório, pelo pai, que conseguiu manter o segredo durante anos, até 1994, quando foi revelado publicamente pela revista Paris-Match. Hoje, ela é Mazarine Marie Pingeot-Miterrand, escritora, autora de um romance - Cemitério de bonecas - em que uma mulher mata seu bebê e o coloca num congelador. Mazarine e sua mãe não foram mortas nem ficaram no congelador. As duas foram convidadas para os funerais pela própria Danielle Miterrand, esposa do presidente, que bateu de frente com o poder e subverteu as normas do cerimonial. Uma foto estampada na primeira página dos jornais do mundo todo mostra Danielle ladeada por seus dois filhos Jean-Christophe e Gilbert, tendo Mazarine e Anne à sua esquerda. No velório de Alencar, quem ficou de fora foi a Mazarine brasileira, conhecida em Caratinga (MG) como Alencarzinha, uma quase-irmã do Dirceu e da Dilma. Trata-se de uma professora aposentada de 55 anos, que em 2001 entrou com uma ação de reconhecimento de paternidade, reivindicando ser filha de um romance entre José Alencar e a enfermeira Francisca Nicolina de Morais. Com a mesma teimosia com que lutou contra o câncer, seu quase pai, Zé Alencar, se recusou a fazer exames de DNA e morreu sem reconhecer aquela que diz ser sua filha. Diante da recusa, o juiz da comarca de Caratinga (MG), José Antônio de Oliveira Cordeiro, fez o que manda a lei. Declarou oficialmente José Alencar Gomes da Silva como o pai da professora, que agora passou a assinar, legalmente, Rosemary de Morais Gomes da Silva. Entrevistado no programa de Jô Soares, em 2010, diante das câmeras e dos microfones, José Alencar não negou que havia tido uma relação com Nicolina, mas disparou um tiro de guerra. Revelou que “como todo jovem na época” era freqüentador das zonas de meretrício das cidades onde morou, insinuando que a mãe de sua eventual filha era uma prostituta e que qualquer um podia ser o pai. Alencarzinha Confesso que nutria enorme admiração pela luta de Alencar contra o câncer, mas ela se esfumou quando ouvi sua declaração, digna de um Bolsonaro, ultrajante e ofensiva a todas as mulheres brasileiras, virtuosas ou pecadoras, que não mereciam um comportamento público tão machista, mesquinho e vulgar. Fiquei envergonhado, afinal ele me representava. Não era um quase-pai, mas era um quase-presidente. Nem o insensato coração de André Lázaro Ramos foi capaz de discurso tão abominável e covarde, indigno de um homem tão bom, que pelo seu cargo deveria ter um comportamento mais republicano. O pior é que, pelo lugar de onde fala, ele tem um “papel didático” também nessas questões de gênero. Alencarzinha assistiu pela televisão à cobertura do velório de um homem poderoso, rico, com grandes qualidades, mas asquerosamente machista. “Não fui a Belo Horizonte porque não ia ser bem aceita lá”, ela disse. Judicialmente, podia ter tentado impedir a cremação para realizar o exame de DNA, pelo qual tanto lutou. Mas não o fez. “Queria ter conversado com ele em vida, para mostrar quem eu sou, a filha que ele tem, todo pai gosta de conhecer a pessoa que ele colocou no mundo. Agora, não adianta mais”. Danielle Mitterand recebeu criticas impiedosas pela presença de Mazarine e Anne Pingeot nos funerais do presidente francês. Num belo texto que tornou público, ela condenou a hipocrisia e o conformismo, dizendo que um homem ou uma mulher sensível podia se enamorar e se encantar com outras pessoas: “É preciso admitir docemente que um ser humano é capaz de amar apaixonadamente alguém e depois, com o passar dos anos, amar de forma diferente”. Ela fez um apelo: “Aceitei a filha de meu marido e hoje recebo mensagens do mundo inteiro de filhos angustiados que me dizem: - ‘Obrigado por ter aberto um caminho. Meu pai vai morrer, mas eu não poderei ir ao enterro porque a mulher dele não aceita’ (…). Espero que as pessoas sejam generosas e amplas para compreender e amar seus parceiros em suas dúvidas, fragilidades, divisões e pequenas paixões. Isso é amar por inteiro e ter confiança em si mesmo”. Foi essa generosidade que faltou no enterro de Alencar. O professor José Ribamar Bessa Freire coordena o Programa de Estudos dos Povos Indígenas (UERJ), pesquisa no Programa de Pós-Graduação em Memória Social (UNIRIO).

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Vai uma Caroninha Aí?



Tá lá na VEJA On Line....

Piloto infiltrou amiga em voo que levou Dilma a Natal. Episódio abre crise no Gabinete de Segurança Institucional, responsável pela segurança da presidente


Em sua viagem ao Rio Grande do Norte durante o feriado de Carnaval, a presidente Dilma Rousseff levou “de carona” no avião presidencial uma convidada cuja presença na aeronave não foi informada à equipe de segurança do Planalto.

A descoberta da falha provocou uma crise no Gabinete de Segurança Institucional (GSI), segundo a edição desta quinta-feira do jornal O Estado de S. Paulo.

A “carona” foi dada à professora de Educação Física Amanda Correa Patriarca, irmã de Angélica Patriarca, comissária na mesma aeronave, e amiga do coronel Geraldo Corrêa de Lyra Júnior, comandante do voo. Foi justamente o coronel o responsável por infiltrar a amiga nos vôos de ida e volta de Natal.

Em entrevista concedida a uma rádio na manhã desta quinta, Amanda disse ainda que a autorização para o embarque partiu, além do comandante, de um brigadeiro, cujo nome não soube informar. Segundo ela, a autorização para o embarque veio um dia antes da viagem, por meio de um telefonema.

A professora disse que, como tinha espaço no avião, havia a possibilidade de ela viajar nesse voo, com autorização do comandante. Ela esclarece que viajou em um compartimento separado da presidente e de sua comitiva e não teve contato com ela. Também que, na capital do Rio Grande do Norte, não ficou no mesmo local que a presidente, tendo se hospedado em um hotel com a irmã e pago uma cama extra.

A presença de Amanda no voo só foi descoberta pela alta cúpula do Planalto, segundo o jornal, porque funcionários da base aérea de Brasília despacharam a mala da professora diretamente para o gabinete da presidente Dilma na volta da viagem. Eles ficaram irritados ao perceber a presença de uma pessoa não autorizada no avião presidencial e decidiram alardear a falha à cúpula do governo.

Para que sua presença não fosse percebida, Amanda usou uma mala do Grupo de Transporte Especial (GTE), entregue a todos os passageiros. O fato abriu uma crise no GSI, já que foi considerado um risco às regras no aparato de segurança de Dilma e uma ousadia ao rigor militar. Na avaliação interna do Palácio do Planalto, a atitude do comandante do avião poderia colocar em xeque a autoridade de Dilma já que, teoricamente, somente ela teria a prerrogativa de convidar passageiros para seu voo.

A assessoria do Planalto, oficialmente, disse, numa breve nota, que somente autoridades dos Três Poderes têm autorização para solicitar ao Grupo de Transporte Especial (GTE), comandado pelo coronel Lyra Júnior, a presença de passageiros. Ou seja, ele não poderia ter colocado uma amiga no voo presidencial.

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Comento: bem que poderiam aproveitar a falha de segurança e "dar uma espiadinha" nas contas dos cartões corporativos. Hilário...

Quando o Cacique Quer Ser Grosso, Sai de Baixo

Uma conversa que tive ao telefone ontem com uma criatura paulistana que se diz "aculturado". Acho que perdi a parceria para um negócio, mas dôfa-se. Engulir o sapo eu não engulo.



Depois de muito Lari-Lari sobre Restart, floresta, animais, etc, foi mais ou menos assim, antes de desligar.


- Então, você é de Manaus mesmo ?

- Sim, sou.

- E é verdade que aí tem muito índio? (Até aqui levei na paz.)

- Sim, tem muito índio sim.

- Então, vocês devem fazer muito artesanato também? (Chegou...Lá vai bomba)

- Sim... A gente faz e tem muito artesanato... Inclusive, aí na sua casa deve ter alguma coisa do artesanato indígena que a gente faz em aqui em Manaus.

- Não acredito. Não tem nada de artesanato indígena lá em casa.

- Você não tem TV de plasma, LCD, LED, DVD? Computador? CD? MP3? MP4? Câmera Digital? Moto?Aparelho de Barbear? Escova de Dente? Ar Condicionado?... Essas coisinhas simples...

- É... Tenho, sim.

- Então... O que vocês chamam de tecnologia aí em São Paulo, a gente chama de artesanato em Manaus. - TUDO ISSO AÍ É FEITO PELOS "ÍNDIOS ACULTURADOS".

Bom, nesse ponto ele desligou. Depois meu sócio liga prá ele. Eu não falo com essa criatura nunca mais.

Amigo É Amigo


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quarta-feira, 6 de abril de 2011

Bolsa Látex



Deu na Folha de São Paulo de hoje.



Dezenas de milhares de migrantes, principalmente do Nordeste do Brasil, foram deslocados de suas cidades de origem para a exploração dos seringais dos atuais estados do Acre e Amazonas, em alternativa a se engajarem nas tropas de pracinhas que lutaram na Europa durante a segunda guerra mundial.

Eram os chamados "soldados da borracha".

Muito sofrimento passaram na aventura (e desventura). Fome, doenças tropicais, dívidas impagáveis com os seringalistas (donos dos seringais), assassinatos e por aí vai.

Alguns incluiam suas famílias nas contas tentando diminuir seus débitos, o que só aumentava seu sofrimento, incluindo estupros de suas filhas e esposas (e até filhos) pelos seringalistas e seus filhos mimados, prepotentes e arrogantes.

Parte dessa história foi contada, ainda que fantasiosamente na mini-série Galvez o Imperador do Acre, da Rede Globo, mas muito do que apareceu na telinha foi verdadeiro.

Estima-se que cerca de 55 mil trabalhadores passaram por essa privação, entre 1942 e 1946 de modo que o governo brasileiro cumprisse os acordos firmados para o fornecimento de látex à indústria bélica americana, que havia sido privada da produção do sudeste asiático, então sob o domínio japonês.

Então os EUA resolveram à época financiar a reativação dos seringais nativos brasileiros, decadentes desde o final do século 19. No Brasil, a iniciativa foi chamada de "esforço de guerra".

Desde a Constituição Federal de 1988, os soldados da borracha podem requerer uma pensão vitalícia no valor de dois salários mínimos, e avalia-se que haja 12.000 remanescentes dessa tropa.

Pois agora, os seringueiros e seus descendentes pretendem receber quase R$ 800 milhões de indenização dos governos do Brasil e dos Estados Unidos por conta das violações aos direitos humanos sofridas. Dez deles começaram a ser ouvidos ontem (05/04) pela Justiça Federal em Porto Velho (RO), na primeira audiência de uma ação proposta em dezembro pelo Sindsbor (Sindicatos dos Soldados da Borracha e Seringueiros de Rondônia).

Os filiados ao sindicato são cerca de 4.000, com idades entre 83 e 92 anos. A demanda judicial é liderada pelo cearense Claudionor Ferreira Lima, 86, presidente do sindicato e "ex-pracinha", como se intitula. Ele conta que tinha 17 anos quando decidiu se "alistar". Natural de Jaguaruana (a 180 km de Fortaleza), diz que até então nunca tinha visto uma floresta. "Nem sabia o que era uma seringueira", diz. As promessas de bons salários, assistência médica e passagem garantida na volta para casa, porém, escondiam a realidade. "Você já chegava devendo até a roupa do corpo. E nunca terminava de pagar. E, no meio daquele mato, não havia o que fazer", lembra.

Na ação, o sindicato afirma que os acordos para o fornecimento de látex previam uma contrapartida financeira dos Estados Unidos para transporte, assistência à saúde e pagamento aos trabalhadores. O dinheiro veio, afirma o sindicato, mas jamais chegou aos destinatários. "Os soldados da borracha foram esquecidos e o dinheiro sumiu. A responsabilidade é da União e também do governo americano, que não fiscalizou a aplicação dos recursos", diz o advogado do sindicato, Irlan Rogério da Silva. O valor total pedido na ação, R$ 794 milhões, corresponde, segundo o sindicato, a uma estimativa inicial desta mesma compensação aplicada desde 1942. Em contestação apresentada à Justiça, a AGU (Advocacia-Geral da União) disse que a demanda dos soldados da borracha está "sujeita à prescrição" e que danos morais e materiais não podem ser formulados "genericamente".

A ver.

Denúncia Anônima Não é Denúncia Vazia



Numa decisão surpreendente, ao menos prá mim e outras pessoas de bom senso, ontem (05/04)a sexta turma do Superior Tribunal de Justiça(STJ) anulou todas as provas obtidas pela Operação Castelo de Areia a partir de escutas telefônicas autorizadas com base em denúncia anônima recebida e investigada pelo Ministério Público Federal.

Tal medida fere de morte uma das mais bem sucedidas missões da Polícia Federal contra executivos da Construtora Camargo Corrêa, envolvidos em um esquema de evasão de divisas, lavagem de dinheiro, crimes financeiros e doações clandestinas a políticos. Tudo o que a PF e a Procuradoria da República construíram sob aquelas condições foi declarado ilegal por três votos a um, segundo os quais as quebras de sigilo, autorizadas pelo juiz Fausto de Sanctis, teria ocorrido de forma "genérica e indiscriminada". Em outras palavras, a operação denominada Castelo de Areia desmoronou. Só poderá ter prosseguimento aquilo que não teve amparo na denúncia anônima, ou seja, quase nada. As investigações que se seguiram desde 2009 pela PF, resultaram em três ações penais, uma ação por improbidade, além de 32 procedimentos de investigação sobre grandes obras da empreiteira sob suspeita em quase todo o País.

Ao decretar a nulidade das provas, o STJ liquidou toda a ofensiva do Ministério Público Federal. Dentre as provas e indícios que devem ser anulados com a decisão do STJ estão conversas telefônicas entre os investigados gravadas com autorização judicial, dados obtidos com a quebra de sigilos bancário e telefônico e as análises feitas no material apreendido nos mandados de busca e apreensão. Apenas o ministro Og Fernandes julgou que as provas foram obtidas de forma legal e, por isso, a ação penal poderia prosseguir normalmente. No entendimento do ministro, Ministério Público e Polícia Federal apuraram a denúncia anônima e encontraram indícios que então embasaram os pedidos de quebra de sigilo.

O Ministério Público agora vai examinar o texto do julgamento para avaliar quais provas do caso ainda poderão ser aproveitadas.

A procuradora Karen Kahn, responsável pela denúncia da Castelo de Areia, disse que é difícil saber quais provas vão se sustentar após a decisão do STJ. "Como as buscas e apreensões, a princípio, decorreram de dados colhidos nas interceptações, fica difícil dizer que as provas vão se manter. Praticamente uma é decorrência da outra. Mas, para verificar essa possibilidade, é necessário analisar a decisão do STJ", afirmou.

Para a procuradora, "o que pode ser aproveitado são as provas produzidas antes das interceptações e o que não é derivado dos grampos". A procuradora Karen Kahn disse que, apesar da decisão do STJ, mantém a posição de que os grampos foram legais e não houve ilegalidades nas apurações.

De acordo com a procuradora, o julgamento não levou em conta uma delação premiada que antecedeu a Castelo de Areia e apontou indícios que justificaram as escutas telefônicas. "Se tivesse que atuar novamente, faria exatamente a mesma coisa", disse. O subprocurador-geral da República Moacir Mendes, que representou o Ministério Público Federal na sessão de julgamento de ontem, afirmou que "o caso serve para avaliar a necessidade de sempre se cercar de todos os cuidados na investigação de 1ª instância, para que um enorme trabalho de apuração não se perca".

Ora; denúncia anônima não é denúncia vazia. Trata-se de uma comunicação alternativa de cidadãos que tomam conhecimento de falcatruas envolvendo empreiteiras e políticos, uma relação promíscua recorrente no Brasil, e que a fazem chegar aos responsáveis pela moralidade das obras públicas, a quem compete analisar as informações preliminares e dar continuidade nas investigações. A opção é a delação premiada e a inclusão do denunciante em programas de proteção a testemunhas, nem sempre bem sucedidos e que colocam seus envolvidos em enormes riscos de vida.

Mais uma decisão tendenciosa dos tribunais superiores que favorecem a impunidade e a continuidade das serrergonhices no Brasil.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Prá Que Lado Segue a VALE?


Os acionistas-controladores da Valepar (Litel, Bradespar, BNDESPar, Mitsui e Elétron) concluiram as deliberações para a decisão sobre a substituição do comando global da VALE e informaram pública e formalmente a escolha do administrador Murilo Pinto Ferreira, 58 anos, para o cargo de diretor-presidente da empresa, conforme prevê a legislação da Comissão de Valores Mobiliários que rege as empresas de capital aberto, caso da VALE.

Resta ainda a formalidade da aprovação de seu nome pelo Conselho de Administração do Grupo, o que deve ocorrer numa reunião a se realizar em 22/04 próximo, seguindo as normas e o Estatuto da Valepar.

Já haviámos postado AQUI e AQUI, sobre a decisão de demitir um presidente que fez com que o lucro da Vale aumentasse 903% em dez anos. Em nossa opinião, as coisas vão muito além da capacidade técnica ou administrativa e só pode ser compreendida à luz de outros fatos que vão além do que se parece lógico e objetivo.

A saída de Agnelli foi tramada nos bastidores uma vez que vários membros do governo pressionaram o grupo controlador desde o final do (des)governo do EX com o objetivo claro de tirar do caminho o executivo que impunha indesejáveis obstáculos aos interesses do governo na empresa. Repito: interesses do governo e NÃO DO ESTADO.

Nessas circunstâncias é que surgirá o Murilo Ferreira. O mundo aguardará ansioso para ver como ele enfrentará as pressões para equilibrar interesses da empresa e do governo.

Numa civilização moderna, na maioria das vezes, eficiência empresarial (e o conseqüente lucro do acionista) e interesses políticos caminham em direções opostas. A depender das opções que o novo CEO fizer, ficará mais claro de que lado ele se posicionará. O que se sabe é que os principais pontos de desavença de Roger Agnelli com o governo se mantiveram principalmente em três pontos: construção de siderúrgicas, de preferência em estados liderados politicamente por partidos da base aliada (vou no popular: Sarnei e sua república do Maranhão), participação no custos imensuráveis da UHE Belo Monte e pagamentos de royalties absurdos inventados pela união, por estados e municípios onde a VALE mantém instalações.

Há fortes indicativos que o Ministério da Fazenda estuda impor de imediato sobretaxas às exportações de minério de ferro como forma de obrigar a empresa a cumprir este planejamento.

Se o novo presidente resistir às pressões, demonstrará que está preocupado com o interesse do acionista, uma estratégia empresarial mais inteligente, pois deve ser o objetivo da empresa a geração de valor para o acionista como meta, seguindo sua bem-sucedida trajetória de expansão, gerando empregos e ampliando a arrecadação de impostos.

Especialistas vêm publicando em vários veículos que como o custo de energia e do próprio minério estão caríssimos, não faz muito sentido investir na fabricação de aço neste monento. Talvez mais á frente pois pode vir a ser uma boa estratégia para maximizar o lucro. Pior ainda se o CEO aceitar instalar siderúrgicas em localidades distantes dos centros consumidores, ou seja, sem a mínima racionalidade econômica.

A agregação de valores aos produtos básicos (ferro, cobre, níquel, etc) é louvável, mas a decisão do tempo certo deve ser analizado pela empresa que julgará a oportunidade pois investimentos equivocados e o baixo retorno poderiam, a depender do projeto, afetar os resultados da empresa. Investir em geração de energia é de suma importância para a Vale. Afinal de contas, ela é a maior consumidora do Brasil. Garantir suprimento de longo prazo já é parte do planejamento da companhia. A VALE aceitou compor consórcio para participar do polêmico leilão de 20 de abril, marcado pela falta de transparência. A mineradora ofertou o valor de 82 reais/MWh. A opção do Planalto é por um autoprodutor (que produz para consumo próprio). Resultado: a VALE é posta contra para parede para assumir a fatura de 2,3 bilhões de reais de investimentos ainda que mineradora discorde da tarifa contratada. Para que possa oferecer retornos satisfatórios aos acionistas da empresa, o novo CEO da VALE faria boa opção caso não se envolvesse na construção da hidrelétrica de Belo Monte. Estima-se que a taxa a interna de retorno do investimento seja de apenas 5% – insuficiente, portanto, para cobrir até mesmo a inflação, que beira os 6%. Com o mesmo dinheiro, a VALE pode, inclusive, investir em outras fontes de energia, de modo a garantir o fornecimento de longo prazo, mas sem prejudicar o lucro do acionista.

Os royalties sonhados pelos executivos dos três níveis de governo são absurdos e extorsivos. Tratam de financiamento da gastança que se materializa por políticos inescrupulosos que acham que têm que satisfazer seus instintos bestiais de auto-promoção e locupretação satisfeitos a qualquer custo. A empresa vem questionando esses valores em todas as instâncias judiciais.

Os acionistas majoritários certamente terão eventuais prejuízos por outras fontes. Porém os pobres mortais que aplicaram seus recursos de investimentos, inclusive de FGTS em ações da VALE, verão minguar as reservas que pensaram para suas aposentadorias.

Um verdadeiro atentado contra a economia popular.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Doando o Que Não Era Dele



Passei os 8 anos dos mandatos do EX cobrando que alguém respondesse com ordem de quem ele se arvorava do direito de dar dinheiro, quitar dívidas, emprestar grana a fundo perdido, ceder bens e direitos nacionais e financiar obras em território estrangeiro.

Pois hoje o Cláudio Humberto publica em sua coluna que a babita foi num volume de "apenas" R$ 61 bilhões.

Vou escrever com todos os zeros pois o efeito é maior: R$ 61.000.000.000,00.

Foram 27 países beneficiados com a caridade do EX, incluindo ditaduras como a Líbia do amigo, irmão e líder Muamar Kadaffi.

Esse valor é superior às transferências para os estados da Federação.

Nem os mais defensores da santidade dele acreditam que tenha tido a cara de pau de menosprezar a necessária autorização do senado para tais atos. o que evidentemente se caracteriza crime de responsabilidade. É mão grande meeeesmo.

Mas é claro que ninguém vai fazer nada.

Começam a Prescrever os Crimes do Mensalão



Agora em agosto, começam a prescrever os crimes do mensalão, o maior dos escândalos do (des)governo do EX, e que detonou a desmoralização das instituições no Brasil.

Crimes como "Formação de Quadrilha" deixaram de ser puníveis por decurso de prazo; ou seja. Aqueles que nele se enquandram ficarão livres, leves e soltos. E o que é pir, com certeza ainda vão processara a união por danos morais e materiais e receberão indenizações milionárias e polpudas pensões mensais vitalícias, querem apostar?

O EX e sua curriola passaram estes anos todos tentando desmoralizar o fato e descaracterizar a sequência de crimes claramente cometidos contra a constituição e as leis em geral.

Na cabeça deles, nunca houve roubo de dinheiro público ou compra de votos e adesões de parlamentares aos designos do executivo e sim a "pequena transgressão de "recursos não contabilizados", como fantasiosamente chamam dinheiro de caixa 2.

Esta semana a revista Época escancara os detalhes da roubalheira usada pela gang e apresenta dezenas de novos nomes arrolados pela Polícia Federal, como se isso fosse alguma novidade.

Os destaques são os mesmos de sempre: Jucá, Dirceu, Palocci, Benedita, etc, etc; além de nomes ligados ao PSDB.

Taí um excelente motivo para que esse partido tenha se calado diante do escândalo. Telhado de vidro não deixa margem para jogar pedra nos outros.

Reza a lenda que houve um encontro furtivo num hangar entre caciques do PT e do PSDB para por panos quentes na turba que já se começava a manifestar para detonar um processo de impeachment do EX, por claríssimo crime de responsabilidade, avisado que foi da existência dos crimes por diversas pessoas.

E agora? Escritos com todas as letras nos relatórios da PF, os crimes serão apurados e o culpados punidos ou mais uma vez a pizza será o prato servido aos brasileiros idiotas pagadores de imposto?

O processo está nas mãos do Ministro Joaquim Barbosa, que senta sobre os monumentais volumes de documentos há anos.

Quanto mais festa se faz sobre o assunto, mais se aproxima os prazos fatais de caducagem. E os manés cada vez mais são feitos de palhaços.