Read In Your Own Language

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

O Encontro das Águas



O Encontro das Águas

Magistral como o cearense Quintino Cunha (1875-1943) descreve o espetáculo do encontro das águas do Rio Negro com o Rio Solimões, no extremo leste da cidade de Manaus.

Vê bem, Maria aqui se cruzam: este
É o Rio Negro, aquele é o Solimões.
Vê bem como este contra aquele investe,
como as saudades com as recordações.

Vê como se separam duas águas,
Que se querem reunir, mas visualmente;
É um coração que quer reunir as mágoas
De um passado, às venturas de um presente.

É um simulacro só, que as águas donas
D'esta região não seguem o curso adverso,
Todas convergem para o Amazonas,
O real rei dos rios do Universo;

Para o velho Amazonas, Soberano
Que, no solo brasílio, tem o Paço;
Para o Amazonas, que nasceu humano,
Porque afinal é filho de um abraço!

Olha esta água, que é negra como tinta.
Posta nas mãos, é alva que faz gosto;
Dá por visto o nanquim com que se pinta,
Nos olhos, a paisagem de um desgosto.

Aquela outra parece amarelaça,
Muito, no entanto é também limpa, engana:
É direito a virtude quando passa
Pela flexível porta da choupana.

Que profundeza extraordinária, imensa,
Que profundeza, mais que desconforme!
Este navio é uma estrela, suspensa
Neste céu d'água, brutalmente enorme.

Se estes dois rios fôssemos, Maria,
Todas as vezes que nos encontramos,
Que Amazonas de amor não sairia
De mim, de ti, de nós que nos amamos!

2 comentários:

Velvet Poison disse...

Saudades de Manaus. Me diverti muito aí.

Marisa Lima disse...

Eu amo Manaus e amo mais ainda todos que mesmo não sendo do Amazonas amam e respeitam esse que é o maior Estado do Brasil. Sou filha deste Estado, nativa do Beiradão, sou RIBEIRINHA, tenho orgulho de minha origem. O Encontro das Águas é o catão postal do ribeirinho do Beiradão do Amazonas. Amo a NATUREZA. Deus abençoe todos que amam e defendem a natureza.