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quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Um Brado de Indignação por Mirna Cavalcanti


Fartei-me da impunidade.
Fartei-me de uma sociedade inerme.
Fartei-me de ouvir: "nada podemos fazer"...
Fartei-me de ver irresponsáveis representantes do povo receber salários incompatíveis com a realidade brasileira.
Fartei-me de vê-los legislar em causa própria.
Fartei-me de políticos sem dignidade, sem decoro, sem vergonha, sem bom caráter: mentirosos da Nação!

Fartei-me de pagar impostos cujos valores são desviados para pagar a boa vida de prefeitos, vereadores, deputados, senadores: os representantes de nós todos. Desavergonhadamente vivem às nossas expensas sem a devida contrapartida: o trabalho que deveriam desempenhar com patriotismo no coração.

Fartei-me, sim! Fartei-me de corruptos e corruptores em todos os níveis da Nação: sejam membros dos Três Poderes, sejam meros cidadãos.

Fartei-me de prisão especial para os que têm curso universitário: se o tem, deveriam mais entender e agir com decência. Nada de tratamento especial: bandido, ladrão, tem que ir para a prisão junto com os demais "colegas". Basta de desigualdade social. Bandido é bandido: com estudo ou não.

Fartei-me ainda mais de ouvir deslavadas mentiras, de ver criminosos do "colarinho branco" serem tratados com deferências inaceitáveis e saírem da cadeia (especial) para reassumir a posição de deputados. Teria, por absurdo, algo a dizer, o ex-governador Arruda?

Se não pode continuar a governar o DF, como pode voltar a ser deputado? É chorar mais um pouco, da tribuna do Senado. Deu certo uma vez, acostumou: "chorar é preciso"... (perdoa-me, Pessoa) "ser honesto, não é preciso"...

Fartei-me de planos e mais planos. Assistencialismo sem real expressão. Seu fito é a compra de votos para as eleições. Demagogia concreta e barata...

Fartei-me ver obras serem inauguradas sem nem mesmo estarem terminadas, nesse vale-tudo dos desavergonhados.

Fartei-me de ver descumprida nossa Constituição sempre que for de interesse daqueles, políticos ou não, invocar seus sagrados princípios na defesa infrutífera de indefensáveis atos de escancarada corrupção.

Fartei-me de ver a "igualdade desigualada" ser o fundamento para instituição de tantas e desnecessárias secretarias e ministérios para dar emprego aos seguidores do chefão... 37? 38? Quantos agora são? E qual o valor de seus legais, mas imorais, salários? Qual? Quanto custa, afinal, para os cofres do Estado? Cabe a NÓS pagar os escorchantes salários aos que pouco ou nada fazem para os que lhes elegeram na boa-fé, acreditando em suas mentirosas promessas.

O sistema suga uma grande parte dos já minguados salários dos que realmente trabalham: os crédulos, os bons e, quando precisam: onde as escolas? Onde os hospitais? Onde? Onde??? Morrem muitos ignorantes. Suas tristes vidas são ceifadas prematuramente em filas de hospitais nos quais muitas vezes sequer há remédios, nem o devido atendimento. Negam-lhes socorro ("A saúde é dever do Estado e garantia do cidadão", determina a Constituição)! É-lhes negada não só a dignidade, como o próprio direito à vida.

Fartei-me sobremaneira de constatar que os aposentados e pensionistas deste nosso amado Brasil têm sido reiteradamente ludibriados por presidentes, pela legislação, por senadores e deputados quanto aos valores de suas aposentadorias.

Fartei-me há anos e tenho muitas teses escrito em sua defesa. Já ao receber o primeiro benefício, este vem calculado de forma que o valor inicial do mesmo é bem menor - e isto tem ocorrido, bem antes do malsinado Fator Previdenciário, que só o fez ficar ainda menor.

Fartei-me, a este respeito, quando FFHHCC e seu então ministro Stephanes mentiram, frente a tudo e frente a todos que (sic) "beneficiaria o segurado"...
Fartei-me por demais, quando Lula, dos palanques de campanha, afirmou reiteradas vezes que com ele acabaria e depois "esqueceu-se" (como de costume). "Não há dinheiro para isso"... MAS HÁ DINHEIRO PARA GASTOS OUTROS. E DESNECESSÁRIOS!

Fartei-me de leis injustas, elaboradas por incapazes "fazedores de leis.

Fartei-me de decisões de alguns juízes, que usam dois pesos e duas medidas , dependendo dos acusados: se têm dinheiro ou não.

Fartei-me de desculpas inaceitáveis, quando ocorrem chuvas, mesmo que fortes e há deslizamentos e muitas mortes pois as autoridades (in)competentes deixaram construir em encostas e sobre lixões.

Farto-me, sim farto-me quando vejo ser descumprida nossa Constituição sempre que for no interesse daqueles, políticos ou não, invocar os princípios na defesa de seus indefensáveis atos: de escancarada corrupção.

Fartei-me de ver crianças pequenas abandonadas nas ruas por pais (que não são pais) e pelo Estado: com fome, prostituindo-se algumas, viciadas a maioria, transformadas em párias mesmo da sociedade, vez que as garantias constitucionais, para elas, não passam de meras palavras que os maus políticos fazem questão de desrespeitar: querem é subir e aproveitar (ou gozar, como disse certa vez uma inexpressiva ministra-psicóloga-sexóloga que sonhava com a presidência e deu-se mal dentro do próprio partidão. Tomou-lhe o lugar a ministra-chefa da Presidência. Aquela foi péssima prefeita, esta, "orgulha-se" sem razão alguma de ser quem é (ou não é...). Sinceramente: entre as duas, não sei qual seria a pior para a posição. As duas são péssimas, carecem do perfil, sob qualquer ângulo que se lhes examine, para poder vir a ser presidente do Brasil.

BASTA! Que ecoe alto e forte este meu brado de indignação!

Ouçam-no todos os brasileiros, façamos juntos um coro, um refrão: BASTA! Temos garantidos em altura constitucional nossos Direitos Fundamentais.

Acima e além: Direitos Naturais, concedidos por Deus, e a estes, há que respeitá-los todos: políticos, juízes, cidadãos: TODOS, SEM EXCEÇÃO

Farta estou, sim, mais do que farta: da maldade, da ignorância, da falta de seriedade, da indignidade, da irresponsabilidade, da falta de ética, da imoralidade, de tantas "qualidades" de quantos assim são, nesta podre sociedade. Não importa se pertencentes ao governo ou não: "o exemplo vem de cima"... e como o "que vem de cima" é inqualificável, inclassificável, considerando-se a moral (ética), grande parte "dos que estão em baixo" acham-se no direito de imitar tal procedimento e, em qualquer posição que ocupem, tendo mau caráter, fazem de tudo para "tirar vantagem" em toda e qualquer ação, sempre em detrimento dos demais. Tudo isso vemos, vivenciamos...

É isso que deixaremos como legado, se não unirmos nossas forças e atuarmos como cidadãos indignados.

Mirna Cavalcanti é advogada e articulista do BrasilWiki do Jornal do Brasil e minha amiga no twitter @mirnacavalcanti

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